terça-feira, 8 de setembro de 2026

Poema: A distopia de um coração quebrado

 


A distopia de um coração quebrado

 

Era uma vez um reino embotado
Onde tudo era controlado:
Gestos, palavras, pensamentos
Presos em escuros armários.

 

Cores não eram aceitas ali.
Vivendo todos em cinza cromado
Evitando todas as formas de sentir
Louvando o medo como sagrado.

 

Os anciãos de togas ultrapassadas
Vomitavam regras com línguas pegajosas,
Enquanto aparavam asas indesejadas
De amores condenados por palavras enganosas.

 

Mulheres e homens acorrentados
Numa orquestra de notas dissonantes,
Enquanto os anciãos temiam a força
De notas iguais, juntas, ressonantes.

 

Mas essa verdade universal era encoberta
Mesmo que para isso se usasse em dias chuvosos
Um céu com teto a fim de se evitar o óbvio:
Arco-íris irrompem após a tempestade.