sábado, 16 de maio de 2026

Toda história tem uma sombra

TODA HISTÓRIA TEM UMA SOMBA

 



Oi, sou a criadora e autora do blog.

 Tudo aqui — cada escolha, cada erro ou acerto — é exclusivamente meu. Este blog é um presente que dei a mim mesma. É o meu grito, tão silenciado por vozes que não compreendiam meu jeito estranho, sombrio e diferente de pensar. Mas assim tarde? Sim, porque foi agora, na maturidade, que percebi que passei muito tempo alimentando sonhos de outros e sufocando os meus.

Quem aí se esconde na sombra porque o sol expõe uma verdade que os outros não querem enxergar — a de que quem pensa diferente também existe e não precisa pedir licença?


Já fui desacreditada por não escrever o que se espera, por não aceitar o gratiluz e as baboseiras como as únicas formas possíveis de existir. Eu escrevo sobre a crueza, a frustração, o feio, o incompreendido, o corrompido — e a mais fatal de todas: a morte, sombra irmã da vida. E isso afasta.

Sei que meu blog não é para todos — e não é indicado para crianças ou adolescentes suscetíveis e impressionáveis. Falo para adultos que aprenderam a seguir em frente em busca de um felizes para sempre que nunca existiu — porque o sapatinho de cristal não lhes cabia.

Escrevo sobre mocinhas e princesas que fazem as próprias escolhas, mas são contemporizadas por serem "frágeis meninas que precisam de um salvador". Sqn 💅👠.

Foi na sombra de uma alma atormentada que tive forças para assumir quem sou: uma contadora de histórias.


E COMO ESSAS HISTÓRIAS NASCERAM?


Há histórias que não nascem na luz. Elas surgem devagar, como passos na névoa, como ecos que insistem em voltar mesmo quando você tenta esquecê-los. Algumas carregam símbolos, outras carregam feridas. Todas carregam sombras.

Nesta imagem, deixei que essas sombras falassem. Deixei que a meia-irmã, a autora e a menina perdida na floresta ocupassem o mesmo corpo. Deixei que o corvo vigiasse o caminho. Deixei que o sapato manchado contasse o que eu não queria dizer em voz alta.

Escrever, para mim, é isso: caminhar entre versões de mim mesma. Atravessar contos distorcidos, revisitar medos antigos, recolher símbolos que insistem em aparecer. Cada história que escrevo deixa uma marca — às vezes leve, às vezes profunda.

E talvez seja por isso que eu digo que toda história tem uma sombra. Não porque é sombria, mas porque carrega aquilo que não vemos à primeira vista. Aquilo que sussurra. Aquilo que permanece.

 

EU EM VERSOS: 


A SOMBRA EM MIM

Na escuridão de minha alma

 não vejo a luz — apenas o silêncio: 

presente, atento, confortador.


Degraus. 

Salas vazias. 

Uma porta entreaberta — 

espera muda de mágica, 

de luz transformadora:

de rã, de gato preto, 

de irmã‑feia à princesa 

— aplaudida, escolhida.


Mas espelhos quebrados, 

distorcidos, 

refletem o que não aceito.

Não sou princesa, não sou fada 

— nem nada. 

Sou a bruxa: 

a culpa inventada, esvaziada.


Luz que não ilumina, 

mas recria modelos 

tão afetados, encaixados, 

não permitidos.


Sou o proibido — 

o que não deveria nascer, 

insistência viva no 

contraste do bem‑querer.

Simplesmente eu.



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