TODA HISTÓRIA TEM UMA SOMBA
Tudo aqui — cada escolha, cada erro ou acerto — é exclusivamente meu. Este blog é um presente que dei a mim mesma. É o meu grito, tão silenciado por vozes que não compreendiam meu jeito estranho, sombrio e diferente de pensar. Mas assim tarde? Sim, porque foi agora, na maturidade, que percebi que passei muito tempo alimentando sonhos de outros e sufocando os meus.
Quem aí se esconde na sombra porque o sol expõe uma verdade que os outros não querem enxergar — a de que quem pensa diferente também existe e não precisa pedir licença?
Já fui desacreditada por não escrever o que se espera, por não aceitar o gratiluz e as baboseiras como as únicas formas possíveis de existir. Eu escrevo sobre a crueza, a frustração, o feio, o incompreendido, o corrompido — e a mais fatal de todas: a morte, sombra irmã da vida. E isso afasta.
Sei que meu blog não é para todos — e não é indicado para crianças ou adolescentes suscetíveis e impressionáveis. Falo para adultos que aprenderam a seguir em frente em busca de um felizes para sempre que nunca existiu — porque o sapatinho de cristal não lhes cabia.
Escrevo sobre mocinhas e princesas que fazem as próprias escolhas, mas são contemporizadas por serem "frágeis meninas que precisam de um salvador". Sqn 💅👠.
Foi na sombra de uma alma atormentada que tive forças para assumir quem sou: uma contadora de histórias.
E COMO ESSAS HISTÓRIAS NASCERAM?
Há histórias que não nascem na luz. Elas surgem devagar, como passos na névoa, como ecos que insistem em voltar mesmo quando você tenta esquecê-los. Algumas carregam símbolos, outras carregam feridas. Todas carregam sombras.
Nesta imagem, deixei que essas sombras falassem. Deixei que a meia-irmã, a autora e a menina perdida na floresta ocupassem o mesmo corpo. Deixei que o corvo vigiasse o caminho. Deixei que o sapato manchado contasse o que eu não queria dizer em voz alta.
Escrever, para mim, é isso: caminhar entre versões de mim mesma. Atravessar contos distorcidos, revisitar medos antigos, recolher símbolos que insistem em aparecer. Cada história que escrevo deixa uma marca — às vezes leve, às vezes profunda.
E talvez seja por isso que eu digo que toda história tem uma sombra. Não porque é sombria, mas porque carrega aquilo que não vemos à primeira vista. Aquilo que sussurra. Aquilo que permanece.
EU EM VERSOS:
A SOMBRA EM MIM
Na escuridão de minha alma
não vejo a luz — apenas o silêncio:
presente, atento, confortador.
Degraus.
Salas vazias.
Uma porta entreaberta —
espera muda de mágica,
de luz transformadora:
de rã, de gato preto,
de irmã‑feia à princesa
— aplaudida, escolhida.
Mas espelhos quebrados,
distorcidos,
refletem o que não aceito.
Não sou princesa, não sou fada
— nem nada.
Sou a bruxa:
a culpa inventada, esvaziada.
Luz que não ilumina,
mas recria modelos
tão afetados, encaixados,
não permitidos.
Sou o proibido —
o que não deveria nascer,
insistência viva no
contraste do bem‑querer.
Simplesmente eu.
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