Introdução: Quando uma jovem cai do sexto andar, um número desconhecido inicia um jogo mortal que sempre escolhe a próxima vítima.
CAPÍTULO 1 - MENSAGEM APAGADA
A vizinha estava caída
no chão em um ângulo estranho, mas com uma sombra de sorriso de quem encontrou
a paz. O porteiro corre para socorrê-la, olha para cima e vê o vizinho do 603
na janela da inquilina do 602. Ele puxava os cabelos e andava de um lado para
outro até sumir para dentro do apartamento.
O porteiro liga
para a polícia, que o orienta a não mexer no corpo nem em nada ao redor, porque
uma viatura e uma ambulância já estavam a caminho. O homem olha consternado
para a jovem — da mesma idade de sua neta, sempre tão educada e gentil — agora
jogada no meio da calçada como se fosse um objeto.
O vizinho surge
nervoso e, como sempre, esquisito, falando frases desconexas. Quando faz menção
de se aproximar do corpo, o porteiro intervém.
— Calma, afaste-se
dela, já chamei a polícia… — diz o porteiro, cauteloso diante da agitação do
rapaz.
— Eu falei, eu
gritei, eu esmurrei a porta… ela não deveria ter dado mole… — dizia o rapaz,
balançando o corpo para frente e para trás.
— Mas o que você
fez… vocês namoravam? — perguntou o porteiro, tentando arrancar alguma
informação antes que ele fugisse ou surtasse de vez.
— Ela não quis
abrir a porta para mim! Eu falei para ela não conversar… ela estava falando com
ele… e ele me disse que a mataria…
— Quem? Tinha mais
alguém lá? — perguntou o porteiro.
Mas a frase ficou
sem resposta. A polícia civil e a militar chegam, juntamente com a ambulância.
Apresentam-se dois investigadores com distintivos, quatro militares, um
paramédico e um enfermeiro, que constatam a morte da garota.
A polícia militar
pega o depoimento dos envolvidos para o boletim de ocorrência e isola o local
do crime.
A vizinhança vai
acordando e sai para bisbilhotar o que estava acontecendo. Transeuntes vindos
de boates ou do trabalho param para ver o cadáver da bonita jovem ao chão, sob
uma poça cada vez maior de sangue.
A investigadora do
caso — uma mulher alta, de cabelos pretos presos de qualquer jeito, jaqueta
escura e olhar atento e sagaz — observa a cena. Ela repara na agitação do rapaz
e no olhar desconfiado do porteiro dirigido a ele. Percebe também um arranhão recente
no antebraço do vizinho — fino, mas profundo o bastante para parecer marca de
luta.
Chama o porteiro
de lado, longe do agitado rapaz, que naquele momento está sendo interrogado por
um policial militar baixo e com cara de cansado.
— O senhor parece
incomodado com algo... sente-se ameaçado? Conhece aquele rapaz? — pergunta em
um tom conciliador.
O porteiro, com
olhar de pena e ao mesmo tempo determinado, diz:
— Eu o vi nervoso
na sacada dela logo depois que o corpo caiu. Quando desceu, disse que tinha
avisado para ela não atender a chamada de outra pessoa. Eu acho que…
— Conclua… o que
você acha?
Enquanto esperava
o que ele iria dizer, a detetive recolhe o celular que já estava no saquinho de
evidências e percebe que ainda está ligado. Olha para o porteiro, como se o
incentivasse a dizer o que ela já pressentia.
— Acho que o
vizinho do 603 a jogou pela janela.
Ela então volta o
olhar para o celular da garota. Na tela ainda acesa, uma conversa aberta. E uma
única linha: Mensagem apagada.
Teaser do próximo capítulo
Antes que a polícia entenda o jogo, ele fará outra vítima — e desaparecerá novamente.
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